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16/05/2006 - 00:00
CETEM - Centro de Tecnologia Mineral
Projeto muda quadro econômico e ambiental do menor PIB do Estado do Rio

O município de Santo Antônio de Pádua, o menor PIB do Estado do Rio de Janeiro, situado na região noroeste, com 39 mil habitantes, vem passando por uma pequena revolução econômica e ambiental A transformação é conseqüência do projeto "Produção Limpa e Geração de Empregos no Setor de Rochas Ornamentais", elaborado pelo Centro de Tecnologia Mineral(Cetem), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia, que deu ao Centro o segundo lugar da etapa nacional do Prêmio FINEP de Inovação Tecnológica 2005, categoria inovação social. Produtor de rochas ornamentais, Pádua tem na mineração a sua principal fonte de geração de renda e responsável por 6 mil empregos diretos e indiretos.A vida do município começou a mudar de qualidade a partir de 1998 com a atuação integrada do Departamento de Recursos Minerais-RJ(DRM), o Instituto Nacional de Tecnologia(INT) e o Departamento de Geologia da UFRJ, sob a coordenação do Chefe do Setor de Arranjos Produtivos do Cetem, Carlos Peiter.

O quadro econômico do município, representado pela ilegalidade de serrarias e pedreiras, era o pior possível. A economia estava em crise, fruto de tecnologia ultrapassada, baixo nível técnico da mão de obra local e modelo empresarial de gestão atrasado, que dificultava o acesso a instituições de crédito e financiamento as micro-empresas que compõem o perfil do empresariado de Santo Antônio de Pádua.Em relação ao meio ambiente, o desrespeito era sistemático, pela total falta de informações do empresariado de como enfrentar a temática. O lançamento de efluentes do processo produtivo das serrarias ia direto para os rios e córregos da região, provocando contaminação e assoreamento.Eram descartados no meio ambiente todo mês 10 toneladas de rejeitos de aparas e cacos das rochas ornamentais e 1,5 tonelada de finos de brita.

A implantação do projeto modificou este quadro. Setenta e seis pedreiras e 82 serrarias de Pádua se incorporaram ao processo e assinaram o Termo de Ajustamento de Conduta(TAC), com o Ministério Público, que permitiu que as empresas continuassem a operar temporariamente enquanto seria elaborado diagnóstico e implementação de medidas decorrentes da legislação ambiental e mineral. O Termo de Ajustamento possibilitou que fossem instaladas 45 unidades de tratamento e efluentes, o correspondente a 50% das serrarias que atuam na região. Foram implantados também tanques de decantação, fossas sépticas, filtros anaeróbicos, tratamento acústico ou uso de discos de corte mais silenciosos. Por outro lado, o trabalho de pesquisa permitiu que se criasse inovações tecnológicas a partir do pó de serrarias, como as telhas cerâmicas, a argamassa de assentamento e rejunte(com o INT) e o processo de utilização de finos de granito na composição de asfalto.

Hoje, Pádua produz 500 mil metros quadrados de ladrilhos(as lajinhas como são conhecidas), o principal produto do município, que rende R$3 milhões por mês. A maior parte da produção é para abastecer o mercado interno, mas o município já começou a exportar para os Estados Unidos, Espanha, Portugal e África.

Baseado na realidade econômica do empresariado do município está sendo concebido o pré–projeto da Serraria Modelo. A iniciativa consiste em diminuir risco de acidentes, melhoria do layout das serrarias, com melhor ordenamento das máquinas, do fluxo e da disposição dos materiais e dos produtos e rejeitos, melhoria das condições de saúde e higiene dos trabalhadores, bem como diminuir a poluição sonora. A Serraria Modelo norteará as mudanças nas serrais já em funcionamento ou para as que venham a se instalar em Santo Antônio de Pádua.

Pádua é um exemplo singular da bem sucedida parceria do poder público com o empresariado no sentido de gerar renda, emprego e desenvolvimento social e econômico aplicando novas metodologias e tecnologias inovadoras.

 
Contato: Vitor Hugo Marques
Telefone: (21) - 2539-5859
Email: vitormar@globo.com