Darcy Ribeiro nasceu a 26 de janeiro de 1922, em Montes Claros, Minas Gerais. Quando completou 10 anos resolveu que tinha vocação para ser coroinha, e para convencer o padre da igreja de sua cidade, decorou todo o responsório da missa em latim. Superada a crise de religiosidade, dedicou-se a literatura para impressionar as garotas do colégio, com o cérebro, já que não tinha músculos, mergulhando durante horas a fio na biblioteca de seu tio. Assim é possível descrever a personalidade de Darcy Ribeiro, um homem visceral, determinado em seus objetivos. Iniciou estudos em medicina e filosofia e acabou formando-se em Ciências Sociais pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo, quando se embrenhou na selva com os índios, recomendado por amigos ao Marechal Rondon.
Darcy compreendeu os indígenas a partir de duas visões: a acadêmica, pois tinha o índio como objeto de estudo, e cultural, pois aprendera a olhar os índios com os olhos deles mesmos. Declarou-se apaixonado pela Amazônia e pelo Pantanal, participando do serviço de proteção ao índio, da criação do Parque Indígena do Xingu e fundando o Museu do Índio.
Foi antropólogo, escritor e, principalmente, um educador, sempre às voltas com as grandes questões nacionais. Trabalhou no Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, do Ministério da Educação onde coordenou pesquisas sobre a realidade brasileira e auxiliou na elaboração de uma política de educação nacional. No final dos anos 50, Darcy elaborou o projeto de criação da Universidade de Brasília, assumindo a reitoria da UnB, em 1962, já no governo de João Goulart. Em 1963, tomou posse no Ministério da Educação. Modernizou a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), obrigando o governo federal a gastar 12,4% de seu orçamento em educação.
Foi chefe da Casa Civil de Jango, mas com a ditadura se exilou no Uruguai, onde foi nomeado professor de antropologia, dirigindo seminários sobre reformas das universidades. Escreveu então, as primeiras versões de O Povo Brasileiro e Maíra, um dos seus romances. Ao voltar ao Brasil, foi preso, julgado e absolvido seguindo para o exílio na Venezuela, quando Salvador Allende venceu as eleições no Chile e convidou Darcy para assessorá-lo. Em seguida foi chamado para pensar e ajudar a Revolução Peruana ao lado de Velasco Alvarado. Em 1974, em Paris, soube que tinha câncer no pulmão esquerdo e precisava retirá-lo com poucas chances de sobreviver. Mas Darcy sobreviveu, após ter sido operado no Brasil, com autorização dos militares. Só voltou em definitivo em 1979 com a anistia, tornando-se professor titular da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ e aliado ao PDT. Foi secretário da cultura de Leonel Brizola, criando o sambódromo no Rio de Janeiro e um ambicioso projeto de educação, o CIEPs , "escolões" de tempo integral para crianças carentes. Foi senador da república e morreu em fevereiro de 1997, de outro câncer.
Principais obras: RIBEIRO, Darcy (s/d) Os Índios e a Civilização. São Paulo: Círculo do Livro S.A., Editora Vozes (1960) “A Universidade de Brasília”. Educação e Ciências 338, Sociais, ano V, vol. 8., nº 15, setembro. (1962) A Política Indigenista Brasileira. Rio de Janeiro: Ministério da Agricultura, Serviço de Informação Agrícola. (1976 Maira. Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro. (1975) A Universidade Necessária. Rio de Janeiro: Paz e Terra. (1978) O Processo Civilizatório. Etapas da evolução sociocultural. Estudos de antropologia da Civilização. São Paulo: Vozes. (1978) O Dilema da América Latina. Rio de Janeiro: Editora Vozes. (1995) O Povo Brasileiro: evolução e o sentido do Brasil. São Paulo:, Companhia das Letras 1996) Os Diários Índios: os Urubu-Kaapor. São Paulo: Companhia das Letras.
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